Secagem de grãos: Veja como funciona esse importante processo

17 jul, 2020 | Secagem de grãos | 0 Comentários

Quem trabalha com produção de grãos sabe que o processo de produção não termina com o final da colheita. Afinal, a operação pós-colheita é também essencial para garantir a preservação do produto final. Nesse contexto, a secagem de grãos é um processo imprescindível.

Após a colheita, a maioria dos grãos apresenta teores de umidade superiores ao recomendado, o que dificulta uma armazenagem em silos e isso só vem a reforçar a importância da secagem de grãos.

Mas você sabe como funciona esse importante processo? E quais são as modalidades de secagem mais comuns? Veja tudo isso e muito mais no nosso artigo de hoje.

Por que devemos secar grãos após a colheita?

Assim que são colhidos no campo, os grãos são geralmente armazenados em silos. Porém, para que isso ocorra com segurança e permita a manutenção da qualidade do produto, algumas características do produto são essenciais, sendo conquistados por meio de um processo de secagem de grãos muito bem realizado.

O processo de secagem é uma operação que tem por finalidade reduzir o teor de umidade do produto, como grãos, a um nível adequado à sua estocagem por um período mais prolongado e com o máximo de qualidade.

Além disso, com uma boa secagem de grãos há a minimização das perdas quantitativas e qualitativas ocorridas no campo, seja pelo atraso da colheita, seja durante o armazenamento inadequado do produto.

A secagem de grãos é também um fator facilitador da colheita com umidade alta, que, por sua vez, traz diversas vantagens ao produtor, como:

  • Planejamento da colheita para que ela ocorra com antecedência;
  • Possibilidade de colher mais horas por dia e mais dias por safra;
  • Menor perda de sementes por deiscência/degrane natural.

Processos de secagem mais comuns: natural ou artificial

A secagem de grãos baseia-se em um processo simultâneo de transferência de calor. Nesse processo ocorre o aumento da temperatura do ar, que, por consequência, irá diminuir a umidade relativa da massa de grãos.

Dessa forma, durante a secagem, o teor de umidade dos grãos acompanhará a diminuição de umidade do ar em razão de uma corrente de ar quente, tendendo ao equilíbrio higroscópico.

Há basicamente dois processos de secagem de grãos: método natural e método induzido, caracterizado como artificial.

Método natural de secagem de grãos

Este método é baseado na incidência da radiação solar sobre a massa de grãos a céu aberto, promovendo a lenta redução do teor de umidade dos produtos.

No Brasil, esta modalidade tem sido utilizada na secagem de: milho e feijão por pequenos agricultores, café em terreiros e cacau em barcaças, também costuma ser adotado para programas de melhoramento e para produtores que usam algumas sementes de hortaliças.

Porém, mesmo ainda sendo usado por alguns agricultores, essa modalidade tem a grande desvantagem de depender das condições climáticas, além de ser ineficiente para grandes produções.

Método artificial de secagem de grãos

Este método consiste no emprego de secadores, que, por meio induzem o aumento da velocidade do processo de secagem de grãos. Estes secadores proporcionam um fluxo de ar aquecido num ambiente fechado, caso de silo, acelerando o processo de secagem e unificando a massa de grãos na umidade desejada.

Por ser o mais utilizado para grandes massas de grãos, os métodos artificiais de secagem de grãos serão melhor discutidos a seguir.

Tipos de processos de secagem de grãos artificial

Os processos artificiais de secagem de grãos podem ser:

  • Estacionários;
  • Contínuos; e
  • Intermitentes.

Secagem artificial estacionária

A secagem artificial estacionária consiste basicamente em se forçar o ar através de uma massa de sementes que permanece sem se movimentar. Esse método requer precauções especiais para o seu adequado desempenho, tais como:

– Fluxo de ar – O ar forma condições para que ocorra retirada de água da semente por evaporação, transportando o calor desde a fonte até a câmara de secagem. Também transporta a umidade retirada da semente para fora do sistema de secagem, dando continuidade à evaporação;

 – Umidade relativa do ar (UR) – A semente, como todo material higroscópico, perde ou ganha umidade em função da UR, sempre visando o equilíbrio. Por isso a umidade do ar dentro da câmara é essencial;

 – Temperatura do ar de secagem – Os grãos permanecem em contato com o ar aquecido por muito tempo. Por isso deve-se tomar precauções quanto à temperatura do ar, pois as sementes tendem a atingir a mesma temperatura do ar de secagem.

Secagem artificial contínua

Já a secagem por processos contínuos, o produto entra úmido no secador e sai seco e relativamente frio, passando apenas uma vez pelo secador. Estes secadores apenas conseguem operar em contínuo quando a umidade de entrada do produto não ultrapassa a 18% (BU – base úmida).

Secagem artificial intermitente

Por fim, para teores de umidades de entradas excedentes à 18%, a secagem pode ser obtida por operação em intermitente, sendo necessário que o produto passe por diversas vezes pelo secador antes de completar a secagem.

A intermitência permite que ocorra o transporte de água do interior para a superfície do grão durante o período de equalização, diminuindo a sua concentração dentro do produto.

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